É possível se apaixonar por dois homens ao mesmo tempo?

Ana Paula Cardoso

Cada vez mais essa história de poliamor tem sido protagonizada por mulheres que dizem serem capazes de dividir o coração sem conflitos

Amar dois homens ao mesmo tempo é possível? © iStockphoto.com


Tudo que gira em torno da sexualidade feminina costuma ter "peso 2" na hora de passar pelo crivo da sociedade. Por exemplo, de uma forma velada, a traição sempre foi considerada mais "aceitável" da parte do homem. Configurações sociais machistas à parte, o certo é que o ser humano tem uma ampla capacidade de amar. Mas apaixonar-se por dois homens é possível?

"Para entender como o poliamor é possível, basta trocarmos o amor por outro sentimento: raiva, por exemplo. Conseguimos sentir raiva de mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Ou mesmo substituir pelo amor fraterno: amamos vários irmãos, pais, amigos. Portanto, o chamado amor erótico também pode funcionar de forma plural", explica Luiz Francisco psicólogo e e professor da FADISP.

Difícil é dar o nome à relação

Foi exatamente o que aconteceu com uma artista plástica carioca que prefere não se identificar. Recém separada após alguns anos de casamento, começou a ter um caso com o vizinho do novo apartamento onde foi viver. Depois, conheceu um amigo de um amigo em uma festa. Não resistiu.

"Vejo-me equilibrando a agenda para encontrar com um e com outro. Teve um dia que um deles passou a noite de sábado e foi embora domingo de manhã. À tarde, fui ao cinema com o outro. Ao me dar conta que não gostaria de abrir mão de nenhum deles, percebi que tenho sentimento por ambos", conta a carioca.

Não se trata de uma relação aberta. No caso da artista plástica, um não sabe do outro. Mas, por outro lado, ainda não se estabeleceu uma relação séria com nenhum dos dois.

"Quando se trata de emoção não escolhemos o que sentimos. O amor é expansivo e  não limitante. A questão é, ao procuramos onde ele se encaixa, fica difícil dar nome à relação. Isso porque esbarra em nossa estrutura social, que determina a forma monogâmica das relações", explica a terapeuta Tatiana Auler, que ministra um Programa de Autoconhecimento com Foco nos Relacionamentos.

Afeto vence a moral

Para a psicóloga e sexóloga Priscila Junqueira, tanto a psicologia quanto para a sexologia, o ser humano vai se relacionar de acordo com a dinâmica que ele estabeleceu com suas primeiras relações na infância. Partindo dessa compreensão, é possível, sim, amarmos várias pessoas ao mesmo tempo.

Mas é saudável ou não permitir-se viver relações amorosas com duas pessoas? "Isso é bastante subjetivo. Precisamos entender a dinâmica de funcionamento emocional de cada um e entender o quanto está sendo saudável ou não", diz a sexóloga.

Para a artista plástica vivendo entre seus dois amores, o importante é viver esses sentimento expansivo de forma leve. "Por vezes penso que, se estivesse me envolvendo só com um, já teria colocado 'na parede' e perguntado qual seria o rótulo da relação. Como gosto dos dois, sigo sem cobranças, sem nome para o que vivo. Acho que o afeto venceu a moral", conclui.

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