Fantasias sexuais femininas e masculinas: entenda as diferenças

Ana Paula Cardoso
Homens e mulheres têm sonhos e desejos eróticos bem distintos. Especialista explica os motivos

Homens e mulheres têm fantasias sexuais bem diferentes.


Já comprovada cientificamente, a diferença de funcionamento dos cérebros masculino e feminino influencia no tipo de fantasia sexual de cada gênero.  Uma das mais completas pesquisas divulgadas sobre o tema, feita por uma universidade do Canadá e publicada em 2014, revela que a fantasia sexual da maior parte do homens é ter relações com duas mulheres ao mesmo tempo, enquanto o sonho erótico mais recorrente entre as mulheres é fazer sexo sob dominação.

Entram no repertório das fantasias femininas o sexo à força, imaginado com estranhos ou conhecidos, com uso de corda ou algemas, dentre outras situações de submissão. O trabalho dos pesquisadores canadenses concluiu que, ao contrário dos homens, as mulheres têm uma clara distinção entre fantasia e desejo.

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Para elas, ser dominada por um estranho, por exemplo, é algo que passa muitas vezes pela cabeça, mas que não gostariam de vivenciar. Isso explicaria o gosto pelas fantasias de dominação. Os homens, por sua vez, adorariam realizar todas as suas fantasias. 

O psiquiatra Ricardo Krause identifica origens antropológicas para esta diferença entre homens e mulheres em relação às fantasias sexuais.

“Antropologicamente falando, o homem é voltado para fecundar o maior número de mulheres para espécie evoluir. As mulheres têm outros valores porque elas eram encarregadas de ficarem cuidando da terra e dos filhotes, esperando o homem provedor voltar com a caça.  A mulher desenvolveu algumas maneiras de observar e estar no mundo em função de como foram estruturadas as sociedades humanas ancestrais”, explica o psiquiatra.

Segundo o especialista, apesar do mundo ter evoluído, o subconsciente humano ainda tem estas configurações arraigadas, que acabam vindo à tona quando o tema é o desejo sexual.

Fantasia sexual: realizar ou não?

Não existe uma regra para se realizar ou não as fantasias sexuais. Como o próprio nome diz, fantasia é algo que pode operar apenas no campo do não-realizável, do irreal. Mas é preciso tomar cuidado para não incorrer em dois erros. O primeiro seria reprimir um desejo apenas por uma questão sócio-cultural. E o segundo, realizar uma fantasia apenas para agradar o outro.

“O mundo da monogamia não dá conta do desejo. A monogamia é uma questão cultural, que força o desejo a se esconder e isso torna mais difícil às mulheres assumirem suas fantasias. E seus desejos mais íntimos ficam apenas no âmbito da imaginação”, diz Krause.

As pressões sociais em cima do desejo feminino são outros fatores que levam muitas mulheres a reprimirem-se sexualmente.  Ou colocarem uma dose de romantismo nos sonhos eróticos, como uma espécie de “permissão” para a imaginação.

É o caso das fantasias, também muito comuns às mulheres segundo o estudo, nas quais imaginam-se cenários paradisíacos, homens sedutores, como um surfista em uma praia deserta ou um beduíno no deserto.  Já os homens não são tão específicos, mostram as pesquisas. Eles fantasiam as duas mulheres, não importa onde ou quem sejam.

E mais uma vez, é a maneira ancestral do funcionamento cerebral que faz a distinção entre os gêneros.  “Mulher é alta-costura e homem é prêt-à-porter. Mulher é roteirista,  homem é  o diretor do filme de ação”, ilustra o psiquiatra Ricardo Krause para explicar complexidade da imaginação feminina no que tange ao sexo.

Entender essas distinções pode ajudar os casais a chegarem em acordo sobre o lugar da fantasia sexual na vida a dois. E o mais importante para garantir a felicidade do casal é entrar num consenso. "Tudo que é consentindo em comum acordo é permitido", conclui Krause.

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