Fingir orgasmo vale a pena?

Ana Paula Cardoso
Mulheres conseguem simular o prazer mais que homens, mas o orgasmo masculino também nem sempre é sincero

Fingir orgasmo ocasionalmente pode ser bom para a relação amorosa.


Em se tratando de sexualidade, chegar ao clímax numa relação sexual é a meta de 99% de homens e mulheres. Mas nem sempre o orgasmo feminino ou masculino consegue ser alcançado facilmente. Quando a libido está em baixa,  será que vale a pena fingir prazer para não decepcionar o parceiro? Segundo especialistas, dependendo do caso, só uma ‘fingidinha’ não dói.
 
“Uma mulher fingir prazer em um dia que não está muito disposta a sexo, ou um homem levar para a cama pensamentos e fantasias para conseguir ter ereção e satisfazer sua parceira, vale a pena quando existe uma relação estável”, diz o o médico ginecologista e especialista em sexualidade, Marino Pavatto Júnior.
 
Segundo o médico, ninguém deve ser condenado por fingir orgasmo ocasionalmente. Mas isso só deveria acontecer no caso de uma relação amorosa. Em relações sexuais casuais, não tem sentido mostrar ao parceiro que está gostando, quando na verdade não está. “O que não pode acontecer é a simulação do prazer virar uma constante”, reitera o médico.  

Sexo sem vontade é diferente de fingir orgasmo

É preciso não confundir o fingir orgasmo com forçar a relação sexual sem vontade. São coisas distintas, segundo especialistas. “Quando a mulher finge orgasmo, muitas vezes acelera a ejaculação do homem. O sexo acaba e os dois ficam satisfeitos”, comenta o especialista em sexualidade.
 
 Já o homem, quando pensa em uma fantasia para ter ereção, não é traição, ao contrário: ele está usando um artifício para ter vontade de fazer sexo e, assim, dar prazer à sua amada. O médico reconhece que adota uma postura polêmica ao não condenar a simulação do orgasmo. Mas reitera que a vida sexual de cada um é algo muito particular.
 
“Existem diversos fatores que influenciam o desejo. Cansaço físico, estresse, preocupações. Muitas vezes existe a vontade, mas o organismo não responde”, explica o médico. Principalmente quando se trata de sexo no casamento, quando a rotina quebra um pouco a libido.
 
E, somente nesses casos, usar subterfúgios para se excitar – no caso dos homens – ou fingir orgasmo, no caso de mulheres, pode ser melhor que parar tudo e discutir a relação fora de hora.
 
Segundo o doutor Marino Pravatto Júnior, não se deve fingir orgasmo quando a questão em jogo é o ritmo sexual diferente ou a atração sexual já não existe entre os dois. De acordo com o médico, há grupos de pessoas para os quais a sexualidade não tem muita importância. Outros já gostam muito. Casais compostos por pessoas destes dois grupos distintos estão fadados ao fracasso no prazer.
 
Muitas vezes há aspectos sócio-econômicos-culturais que levam estes casais, incompatíveis na cama, a sustentarem relações amorosas que já não produzem excitação. Nesses casos, o médico considera vilania fingir o orgasmo. "Quando chega a esse ponto o certo seria romper a relação", considera o Dr. Pavatto.
 
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