Prostituição: por que homens ainda pagam por sexo?

Ana Paula Cardoso
Na era da liberdade sexual, saiba os motivos para os homens ainda procurarem sexo através da prostituição

Os motivos pelos quais homens procuram sexo pela prostituição são variados.


Receio de não ser compreendido quando quer apenas sexo casual. Ou o apelo de ‘comprar’ algumas horas na companhia de uma mulher dentro dos padrões de beleza vigentes, a qual talvez ele não conseguisse conquistar. Esses são apenas alguns dos motivos pelos quais homens ainda veem na prostituição uma maneira de ter relações sexuais de forma fácil.
 
“Não posso afirmar que isso seja frequente, mas é usual. Também há o nicho de homens comprometidos, que amam a mulher, mas buscam dar vazão a novas experiências sexuais. Esses costumam tratar a prostituição como o sexo sem relevância, meramente carnal”,  conta o médico ginecologista e especialista em sexualidade, Marino Pravatto Júnior.
 
Mesmo sem conseguir desvendar os motivos pelos quais os homens ainda procuram sexo pago, o certo é que, mesmo com toda a liberdade sexual do mundo contemporâneo, homens com poder aquisitivo alto ainda gastam dinheiro com prostituição.
 

Mudanças no perfil da prostituição

Até o início da década de 1970, era comum se pagar por sexo porque os homens tinham dificuldade em conseguir relações sexuais em função do tabu da virgindade feminina. Quando a liberdade sexual alcançou as mulheres, especialmente após o advento da pílula anticoncepcional, o perfil da prostituição mudou.
 
As garotas de programa de luxo, com sua juventude e beleza ao estilo das top model ou artistas famosas, passaram a predominar entre as profissionais do sexo. A prostituição, então, passou a servir para o homem ter uma mulher que ele se acha em dificuldade de conquistar meramente por seus atributos físicos ou intelectuais.
 

Em busca de paz

Mas nem todo homem concorda com esse apelo da beleza, quando se busca uma justificativa para os motivos que levam homens bonitos, bem-sucedidos que, aparentemente, não teriam dificuldade em conquistar uma mulher.
 
O professor universitário Marcos César Santos (o nome foi modificado a pedido do entrevistado) desvenda um pouco deste mistério. Para ele, existe outro motivo além de meramente a busca pelo prazer sexual ou para satisfazer qualquer fetiche de estar com uma mulher digna de capa de revista.
 
“Quando um homem procura uma prostituta nem sempre é somente por sexo. Sexo a gente arruma com relativa facilidade. E com mulheres até mais interessantes. Quando a gente procura uma prostituta, a gente está procurando paz”, afirmou o professor.
 
A ‘paz’ a qual o professor se refere seria a não-cobrança de um telefonema no dia seguinte ou qualquer demonstração de afeto ou carinho, sempre muito caras à maioria das mulheres quando o assunto é relacionamento.

Materialização da mulher-objeto

Pagar pela prostituição, seria, portanto, um modo de não precisar conquistar para ir para a cama com alguém. “Infelizmente, é muito difícil uma mulher aceitar transar com um homem quando somos sinceros e dizemos que queremos apenas sexo e nada mais”, completa Santos.
 
Para a psicóloga Isabela Rosa, a afirmação do professor tem origem em uma séries de arquétipos, que influenciam a formação dos valores femininos e masculinos. Dentre os quais, o mito da mulher-objeto, que apesar de ser ultrapassado, ainda permeia o inconsciente coletivo masculino.
 
“Ao fazer uma afirmação como esta, um homem atribui à prostituição o papel feminino da submissão incondicional. Este papel, felizmente, tem sido cada vez menos desempenhado por mulheres com as quais eles se  relacionam, por qualquer outro motivo que não seja em troca de dinheiro”,  conclui a psicóloga.  
 
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