Mais de 40% das mulheres brasileiras não conseguem atingir o orgasmo

Ana Paula Cardoso

Pesquisa do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo revela que a falta da masturbação está diretamente ligada ao baixo índice de orgasmo

Mais de 40% das brasileiras não atingem o orgasmo.

 

A ausência do orgasmo feminino no ato sexual está entre as maiores queixas das mulheres brasileiras. A chamada anorgasmia, dificuldade ou incapacidade da mulher chegar ao orgasmo, é um fenômeno presente em grande parte das mulheres com vida sexual ativa no país.

Segundo recente levantamento do Pro SexoPrograma de Atendimento Sexual do Hospital das Clínicas de São Paulo  - 78,8% das mulheres brasileiras relatam alguma insatisfação na vida sexual.  Deste universo,  26,2% relatam não atingirem o orgasmo e 17,8% sofrem de dispareunia (dor durante a relação), impedindo-as de chegar ao clímax durante o ato sexual.

“Estes dados são alarmantes se pensarmos que a vida sexual saudável é um dos pontos principais para a vida a dois e também para autoestima de toda mulher”, diz Cátia Damasceno fisioterapeuta com especialização em uroginecologia  e especialista em sexualidade feminina.

 

Falta de masturbação, falta de orgasmo

De acordo com  o estudo, uma das razões que explica essa dificuldade está atrelada ao fato de quase 50% das mulheres  terem declarado não se masturbarem com frequência. Já 19,5% nunca sequer experimentaram a prática da masturbação.

“Isso afeta os estímulos femininos. A mulher acaba não conhecendo seu corpo e não consegue se comunicar com o parceiro sobre o que a motiva durante a relação", explica Maria Elisa Noriler, médica e especialista em Ginecologia e Obstetrícia.

Dra. Noriler reforça ainda que grande parte dos homens não têm dificuldade de atingirem o orgasmo, justamente por manipularem o pênis sem cerimônia. “O homem acaba se conhecendo mais. Já mulher não tem esse hábito. Quando a mulher não se masturba e não se conhece, dificilmente consegue expressar e deixar claro ao parceiro o que gosta”, completa a ginecologista.

 

Não se deve fingir orgasmo

De acordo com a especialista em sexualidade Cátia Damasceno, o fenômeno da anorgasmia pode ser classificado em três níveis:

  1. Primário. Mulheres que nunca tiveram orgasmo;
  2. Secundário. Mulheres que já tiveram orgasmo e deixaram de ter;
  3. Terciário. Mulheres que têm orgasmo em apenas algumas situações.

Seja qual for o nível da falta de orgasmo, a  tendência de culpar o parceiro nem sempre é a solução. Questões emocionais e psicológicas podem ter  associação com a anorgasmia. Estresse, insatisfação com o próprio corpo, TPM ou uso de medicamentos como tranquilizantes são, muitas vezes, responsáveis.

“Mulheres que tiveram uma educação muito rígida podem ter dificuldade em atingir o orgasmo por acharem que é algo errado e até mesmo sujo. Outro motivo é que mulher não está concentrada na relação sexual. Fica preocupada com o corpo, filhos, contas”, diz a fisioterapeuta especialista em sexualidade.

A mulher deve ficar relaxada primeiramente. Se não há entrega não tem como ter orgasmo. A falta de preliminares durante o sexo pode ser uma causa para a anorgasmia, pois a excitação é fundamental para chegar ao orgasmo. E a especialista faz um aleta: fingir orgasmo também pode causar anorgasmia.

Segundo a fisioterapeuta com especialização em uroginecologia, a maioria das mulheres finge orgasmo por dois motivos: o primeiro para não desmotivar e  nem magoar o parceiro. E o segundo motivo é que a mulher não está afim e quer que a relação sexual acabe rápido.

“O ruim de fingir o orgasmo é que o homem nunca vai saber que está sendo insatisfatório e, desse jeito, a parceira nunca vai conseguir chegar lá. Além disso, quando a mulher finge, fortalece a crença de que é incapaz de chegar ao orgasmo. O cérebro começa acreditar que é impossível liberar o fluxo que permite o orgasmo acontecer”, esclarece Cátia Damasceno.

 

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