3 mulheres contam como viveram seu primeiro orgasmo

Ana Paula Cardoso

Veja depoimentos de três mulheres sobre a sublime experiência de chegar ao clímax pela primeira vez

O primeiro orgasmo feminino nem sempre acontece na primeira relação sexual. © iStockphoto.com


O orgasmo feminino recebe o invólucro de mistério. Já começa pela divisão. Como num Fla x Flu sexual, coloca-se o orgasmo vaginal e o clitoriano em oposição. Ao mesmo tempo, alguns especialistas afirmam só existir orgasmo nas mulheres através da estimulação do clitóris.

Diante de tantas teorias, tabus e até repressão a respeito do prazer feminino, A Revista da Mulher mais uma vez foi a campo escutar quem realmente tem algo a dizer. Ouvimos dezenas de mulheres para saber como foi o seu primeiro orgasmo. 

Selecionamos as três histórias mais ilustrativas sobre a misteriosa vivência sexual feminina. O que mais chama atenção é o fato de o primeiro orgasmo não ter ocorrido nenhuma vez na primeira experiência sexual

"A vivência sexual feminina vem com cargas emocionais e sociais tão complexas. Isso faz com que seja natural ela ir aos poucos encontrando o prazer e a forma de chegar ao orgasmo", diz o médico ginecologista e especialista em sexualidade, Marino Pravatto Júnior.

Seguem três relatos de mulheres sobre seus primeiros orgasmos. Os nomes foram trocados por pedido de sigilo. 

Como foi meu primeiro orgasmo 

1) Orgasmo somente com o terceiro parceiro sexual

"Aos 17 anos tive minha primeira relação sexual. Confesso que estava ansiosa. Eu era a mais nova do grupo de amigas e, em se tratando de perder a virgindade, uma diferença de 2 anos pesa. As amigas na casa dos 19 anos já podiam ir à praia menstruada, pois estavam prontas para o absorvente interno (eu juro que pensava em questões de ordem prática para deixar de ser virgem). 

Acabei tendo minha primeira relação com um ex-colega do curso técnico que reencontrei numa empresa onde fui fazer estágio. Namorei esse rapaz por três anos. Quando terminamos, engatei  logo outro namoro que durou quase dois anos. Considerava minha sexualidade normal mas o curioso é que, hoje, aos 41 anos, não consigo lembrar do sexo com esses dois primeiros homens. 

A lembrança do meu primeiro orgasmo é de quando tinha 22 anos, na minha terceira experiência, com um homem na casa dos 30. Recordo-me bem a sua falta de pressa. E das deliciosas preliminares. Ele era paciente, os beijos demorados. Íamos nos despindo aos poucos e, cada parte do meu corpo desnudada era suavemente acaricida por suas mãos e depois explorada pela língua. 

Eu nunca tivera tanta lubrificação. E quando eu achava que ele ia me penetrar, ofereceu-me um sexo oral de me causar espasmos. Tremia muito e não consegui controlar os gritos de tanto prazer. Ali senti meu primeiro orgasmo, prolongado depois por uma penetração que oscilava entre suave e intensa. Até hoje essa transa é uma referência em minha vida" (Leda, atriz, carioca).

2) Primeiro orgasmo depois dos 30 anos

"Até bem pouco tempo achava minha história triste. Mas agora, contando, me parece até feliz. Meu primeiro orgasmo só aconteceu aos 34 anos, sendo que comecei minha vida sexual aos 19. Tive poucas experiências e nenhuma tão excitante. Não chego a dizer que eram ruins, pois gostava dos namorados e acho que sentia como se estivesse compensando a eles pelo amor e carinho que me davam. 

Eu molhava, sentia prazer, mas orgasmo mesmo, nunca. Eu sabia que não era frígida. Mas também não tinha motivação para me masturbar. Casei aos 26 anos, com um homem nada interessado em sexo. Ficávamos, por vezes, quase 15 dias sem nos tocarmos. Eu levaria essa relação, que durou 8 anos, até o fim da vida se não tivesse encontrado o Gabriel, um rapaz 7 anos mais novo e que entrou na empresa na qual trabalhava.

Eu dava treinamento aos novos funcionários e percebia um olhar bem diferente dele para mim. Ele sempre vinha falar comigo no fim dos treinamentos. Era interessado, me trazia livros. Nossa atração era evidente, mas nunca ousamos ultrapassar a fronteira do contato profissional. 

Um ano se passou e eu, em casa, já não tinha mais sexo. Fui fazer uma viagem a trabalho para dar um treinamento em uma de nossas filiais, no interior de São Paulo. Por essas coincidências da vida, Gabriel estava tocando um projeto por lá.

Inevitavelmente, saímos para jantar e ele acabou no meu hotel. Tudo começou quando ele tocou um brinco de argola que eu usava, colocou seu dedo entre a argola e fez um movimento rotacional. Quando o dedo esbarrou em minha orelha, eu senti ter ficado completamente molhada.

Ele me excitou com as palavras. Disse-me o quanto me achava atraente e interessante e eu acabei lhe contando minha infelicidade conjugal. Ele não falou mais nada. Pediu a conta, entramos no seu carro, chegamos ao hotel e ele subiu ao meu quarto.

O silêncio foi quebrado por uma única frase 'eu só quero te fazer feliz'. Já estávamos tão excitados que tiramos a roupa e ele me penetrou de quatro, estimulando meu clitóris. Ali senti meu primeiro orgasmo. Longo e intenso, como nunca imaginara que seria.

Terminei com meu marido 4 meses depois e namorei o Gabriel, depois casamos e tivemos duas filhas. Estou separada há um ano e muito bem resolvida com minha sexualidade. Aprendi a me masturbar e a entender o sexo como um alicerce fundamental de uma relação a dois" (Eva, executiva, mineira).

3) Primeiro orgasmo com um clichê de fantasia sexual

"Sempre me achei muito independente, racional e tentava controlar minha vida sentimental também. Ao pensar sobre meu primeiro orgasmo percebi o quanto o meu primeiro contato com o prazer veio da forma mais descontrolada e, ao mesmo tempo, mais clichê.

Fui à uma oficina recomendada para consertar o porta-malas de meu carro, que havia sido arrombado. O dono da oficina era amigo da família  e foi muito simpático, me apresentando àquele que ele chamou de "meu melhor mecânico". 

O profissional me pareceu sério, bem objetivo e gostei de cara. Ele examinou o carro e acabou dizendo que estava com outro problema e recomendava fazer um trabalho de solda em outra peça e ia levar dois dias. Como estava em uma oficina de confiança, fiquei um pouco contrariada, mas aceitei. 

Quando me despedi, percebi o quanto o mecânico era atraente. Isso passou por minha cabeça apenas em frações de segundo e lembro que ri e pensei estar embarcando na clássica fantasia sexual com um mecânico.

À noite, recebo um telefonema. Já eram quase 19h e o mecânico pedia para eu ir até a oficina, pois ele estava adiantando o serviço do meu carro e tinha percebido um problema mais sério, mas preferia me mostrar antes de fazer e, se eu fosse lá, ele já conseguiria adiantar a entrega para o dia seguinte. 

Calculei que conseguiria chegar por volta das 20:30, por conta do trânsito. Ele disse que tudo bem. Eu realmente não pensei em nada. Só queria meu carro de volta o quanto antes. Chegando na oficina, ele foi direto. 'Não parei de pensar em você, sei que estou sendo ousado, mas não aguentaria ficar sem te ver e dizer isso'.  

Ele estava sem uniforme, de banho tomado, perfumado. Eu me joguei em seus braços, ele me levou para dentro de um escritório, levantou meu vestido, tirou minha calcinha e fizemos um sexo delicioso.

Tive orgasmos múltiplos sentada em uma mesa com ele me penetrando. Foi meu primeiro orgasmo, ou melhor, meus primeiros orgasmos. Passamos a sair com frequência e ele me ajudou a descobrir que sinto mais prazer com o inesperado" (Heloisa, contadora, paulistana).

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