Alergia a esperma realmente existe! Conheça os sintomas e tratamentos 

Ana Paula Cardoso

Médicos explicam sobre a doença rara e indicam como cuidar do problema

Alergia a esperma é uma doença rara que atrapalha a vida sexual. © iStockphoto.com/lolostock


Engana-se quem acha que esta situação seja um mito, a hipersensibilidade ao plasma seminal humano, também chamada de alergia ao esperma, alergia ao sêmen ou mesmo de alergia ao sexo, realmente existe. E é causa de insatisfação da vivência sexual entre muitos casais.

“Trata-se de uma reação alérgica, que ocorre devido ao contato da mucosa vaginal com o sêmen, mais especificamente as proteínas existentes no plasma seminal (um dos constituintes do sêmen), não sendo específico para um determinado parceiro”, explica o Dr. César Milton Marinelli Urologista da Clínica Genics

Como também reforça o ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana Dr. Rodrigo da Rosa Filho, a alergia ao sêmen é uma hipersensibilidade a estas proteínas existentes no líquido seminal. “As mulheres mais propensas geralmente apresentam outros quadros de alergia, como rinite, urticária, dermatite atópica e asma”, diz o especialista.

Principais sintomas da alergia a esperma

De acordo com os especialistas, os sintomas podem variar desde coceira ou ardor após as relações sexuais até corrimento, vermelhidão e inchaço vaginal. Podem ainda ocorrer manchas vermelhas pelo corpo, diarreia, sensação de aperto na garganta e dificuldade para respirar. 

O urologista Dr. César Milton Marinelli orienta que o diagnóstico é principalmente clínico, levando-se em conta que o início dos sintomas alérgicos aparecerem, em média, meia hora após a relação sexual.

“Outra forma é a observação do desaparecimento dos sintomas com o uso de preservativo. Existem, porém, inúmeros exames laboratoriais que o alergista pode solicitar para a avaliação do quadro”, complementa o médico da Clínica Genics.

Homens também podem ter alergia a esperma

A doença, felizmente, é rara: acomete cerca de 3 a 5% da população feminina, porém os homens também podem sofrer desta doença pelo contato do sêmen com a pele e mucosa peniana, ou em casos onde exista o contato do esperma com o sangue do homem (vasectomias, cirurgias testiculares, torção testicular, infecção ou até mesmo trauma testicular).  

“Nos homens também podemos observar sintomas inespecíficos como lesões na pele do pênis, sensação de mal estar, febre, coriza, cansaço após a ejaculação”, informa do Dr. Marinelli.

Como a alergia a esperma ainda é frequentemente confundida como inflamação ou infecção vaginal (candidíase, vaginites),  estima-se que sua incidência possa ser ainda maior. “O problema acomete mulheres entre 20 e 30 anos, mas existem relatos de casos somente após a quinta década de vida”, relata o urologista.

Tratamento da alergia ao sêmen

Os casos mais leves podem ser tratados com o uso de um antialérgico (anti-histamínicos), alguns minutos antes da relação sexual. A utilização de preservativo ainda é a forma mais eficiente, porém, acaba sendo um problema aos casais que desejam engravidar, pois funciona também como contraceptivo.

“Outras formas de tratamento vão desde a aplicação intravaginal ou subcutânea de amostras diluídas do plasma seminal. Existem também vacinas com esperma diluído, tanto orais, como de aplicação intravaginal semanal”, informa o médico da Clínica Genics.

Um alerta importante dos especialistas: a alergia a esperma é um considerada um tipo de alergia inespecífica, portanto  não está relacionada a um parceiro em especial, podendo aparecer após a primeira relação sexual ou após alguns anos.

Não adianta trocar de parceiro. O tratamento é realizado com medicações antialérgicas logo após o contato com sêmen e o uso da camisinha em todas as relações está indicado para casais que não pretendem engravidar”, esclarece o ginecologista Rodrigo da Rosa Filho.

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