Queimaduras: conheça os tipos e acabe com os mitos sobre os primeiros socorros

Etiene Resende
Conheça os três tipos de queimaduras e saiba o que fazer em cada caso

O tratamento para queimadura sempre depende da causa e da gravidade de cada caso.


Queimaduras são acidentes comuns no dia a dia de uma família. Mas apesar de recorrente, a ferida precisa ser tratada com cuidado. E na hora de cuidar da lesão, certos mitos, como passar pasta de dente na região afetada, acabam atrapalhando mais que ajudando.

Foi pensando nisso que A Revista da Mulher entrevistou Marcelo Olivan,  médico cirurgião plástico e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. O especialista explica de maneira detalhada sobre cada tipo de queimadura e ensina como agir quando alguém se ferir. 

Quais são os tipos de queimaduras mais comuns em casa?

As queimaduras em casa não são causadas apenas pelo calor, uma vez que entre os tipos mais comuns estão as "queimaduras térmicas" (causadas pela chama ou pelo contato direto com objetos quentes); as "queimaduras por agentes químicos" (causadas por ácidos ou álcalis encontrados em produtos de limpeza) e as "queimaduras elétricas" (provocadas por corrente elétrica).

Desta forma, alimentos preparados no micro-ondas; vapor, óleo ou líquidos quentes por cozimento; água aquecida acima de 60 graus; lareiras; aquecedores; radiadores; churrasqueiras externas; instalação elétrica inadequada; inflamáveis expostos (ex.: gasolina, álcool, querosene) e negligência com cigarros, fósforos e velas costumam ser as causas mais comuns de queimaduras em casa.

Como são classificadas as queimaduras e quais os impactos na saúde do paciente?

Os efeitos resultantes das queimaduras são influenciados pela temperatura do agente causador, pelo tempo de duração do contato e pelo tipo de tecido que é lesionado. 

É comum a classificação das queimaduras em graus, que variam conforme a profundidade de destruição da pele: as queimaduras de 1º e 2º graus são consideradas parciais e as de 3º grau são consideradas queimaduras de perda total. Isso acontece quando há uma lesão significativa da derme (camada mais profunda da pele), deixando assim de existir células de pele remanescente suficientes para regenerar a área lesionada, e isso muda o tipo de tratamento.

No caso de queimaduras parciais (1º e 2º graus), cuidados com a ferida podem, dentre todos os demais protocolos necessários, permitir o seu fechamento. Normalmente, as queimaduras de 1º grau, onde não há o aparecimento de bolhas, são hidratadas. E as queimaduras de 2º grau, mais profundas, recebem curativos.

Já no caso de queimaduras de perda total (3º grau), uma fonte alternativa e permanente de pele precisa ser encontrada, pois com a destruição completa das três camadas de pele da região, esta já não tem mais como se regenerar. Um dos possíveis tratamentos é a transferência de pele de outra parte do corpo para a área lesionada (enxerto).

Quais os primeiros socorros em caso de queimadura?

O tratamento de emergência varia de acordo com o tipo de lesão, agente causador e gravidade da situação e da lesão.

No caso de queimaduras por eletricidade, é importante remover o paciente da fonte elétrica, desde que os socorristas estejam devidamente protegidos para tanto. Em queimaduras por produtos químicos, é importante remover o produto químico seco da pele antes da irrigação, lavando então o produto seco remanescente, ou o produto líquido, da ferida. Já no caso de queimaduras por calor, deve-se interromper a fonte de calor e resfriar a região com água corrente.

Em qualquer um dos casos, estabilizar a coluna cervical; remover as roupas e os acessórios não afetados (roupas, sapatos, relógios, joias, óculos, lentes de contato) e elevar o(s) membros(s) queimado(s) acima do coração para reduzir o risco de edema são recomendados; além de solicitar socorro médico imediatamente.

Quais são os principais mitos sobre o atendimento de uma pessoa com queimadura?

Dentre todas as funções da pele, uma delas é a de proteger o organismo contra diversos agentes externos. A queimadura lesiona a pele, expondo nosso organismo a diversos agentes externos, o que por si só já é grave. Passar qualquer coisa na ferida sem recomendação médica, como manteiga, óleo, ovo, pasta de dente, entre outros, apenas aumenta o risco de infecção e atrasa o processo de cicatrização.

Além disso, é importante nunca estourar as bolhas porque elas estão protegendo a área, diminuindo o risco de infecção.

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