Cárie: conheça os riscos e saiba como prevenir

Fernanda Lima

Doença infecto-contagiosa pode ser transmitida pela saliva e causar sintomas como dor ao comer doces ou alimentos gelados 

A extração do dente pode ser necessária se a cárie não for tratada.

 

Pouca gente sabe, mas a cárie dentária é uma doença infecto-contagiosa. Ela é causada pela bactéria Streptococcus Mutans, que adere aos dentes e se "alimenta" das partículas que sobraram da última refeição. Uma das formas de transmissão ocorre quando a mãe experimenta a comida do filho para ver se está muito quente. A transmissão ainda pode ocorrer durante o beijo, através da saliva.

A cárie é o a doença oral mais comum que atinge adultos e crianças. O Brasil possui baixa incidência de casos e, entre 2003 e 2010, apresentou uma redução de 25% no número de pessoas atingidas pelo problema, segundo o Ministério da Saúde.

Segundo a Dra. Beatriz Lombardi, especialista em Ortodontia, Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial da A Clínica Oral, a cárie é uma doença progressiva que se manifesta como perda de tecido dentário. "Ela aparece quando as bactérias encontradas na boca transformam os restos de alimentos em ácidos, que provocam a desmineralização da matriz de cálcio do dente, causando o amolecimento da sua estrutura e formação de cavidade".

Ainda segundo a dentista, existem três tipos de cáries: a coronária, radicular e recorrente. A coronária é a mais comum e se localiza na superfície de mastigação ou entre os dentes. A cárie radicular ocorre quando há retração da gengiva e exposição da raiz do dente, sendo mais frequente em pessoas mais velhas. Já a cárie recorrente atinge restaurações e coroas existentes.


As cáries dentárias apresentam sintomas?

De acordo com Beatriz, a cárie inicial muitas vezes não tem sintomas, se manifestando apenas como uma mancha branca, que corresponde ao início da desmineralização do esmalte. Porém, esta mancha pode evoluir, causando os primeiros sintomas, como dor ao comer doces, ao consumir alimentos gelados e ao mastigar. Quando não tratada, ela avança e pode causar sintomas mais graves, como dor com estímulos quentes e até mesmo pontadas espontâneas.

O tratamento, explica a especialista, deve ser avaliado individualmente, pois depende da quantidade de estrutura dentária que foi perdida. Basicamente, ele consiste na remoção do tecido cariado e na restauração do dente para restabelecer sua forma e função. 
 

Quais são os riscos de não tratar as cáries?

Por ser uma doença progressiva, quando a cárie não é tratada, evolui e pode atingir a polpa dentária, que é o nervo do dente, e contaminar a raiz. Nestes casos, é necessário fazer o tratamento do canal para eliminar a dor e remover a contaminação bacteriana. 

Além disso, nos casos em que há grande destruição da estrutura do dente, podem ser indicados outros procedimentos mais invasivos, como a colocação de uma coroa de porcelana ou uma prótese dentária provisória. Casos extremos podem levar até à perda do dente, com indicação de extração.

A contaminação que atinge a raiz do dente também pode pode gerar uma infecção e provocar abscessos (acúmulo de pus). Nesta situação, se as bactérias caírem na corrente sanguínea e se espalharem para outras partes do corpo, podem provocar endocardite bacteriana, que se não for reconhecida e tratada a tempo, pode levar o indivíduo à morte.

 

Como prevenir a cárie?

De acordo com Beatriz, a melhor prevenção é a higienização adequada. "Devemos escovar os dentes após cada refeição e usar o fio dental diariamente, evitar o consumo de açúcar e ingerir bastante água para aumentar a salivação", ensina.

As visitas ao dentista devem ocorrer a cada 6 meses para que qualquer problema seja diagnosticado no início. Quem sofre de xerostomia (boca seca), fumantes ou pessoas com doenças sistêmicas devem visitar o dentista com maior frequência, pois são mais propensos a ter cáries.
 
Copyright foto: iStock

Leia também:

Anúncio google

Nenhum comentário disponível sobre este assunto