Probióticos: os amigos do intestino

Daniel Navas

As bactérias do bem, mais conhecidas como probióticos, contribuem para a saúde do intestino, evitando o desenvolvimento de doenças

Os probióticos são bactérias que contribuem para o bom funcionamento do intestino.


Quando o assunto são bactérias, logo vem à cabeça algo bem negativo, ligado, principalmente, a problemas de saúde. Porém, nem todos esses micróbios estão no 'lado negro da força', como é o caso dos probióticos. Mas afinal, o que quer dizer esta palavra com a qual nem todo mundo está  familiarizado?

“Os probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades apropriadas, melhoram o equilíbrio da flora intestinal, produzindo efeitos benéficos à saúde do indivíduo”, explica Ana Carolina Almada Colucci Paternez, professora de nutrição da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Os principais micro-organismos bacterianos considerados como probióticos são aqueles dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium. Ao longo de seu trabalho, esses micróbios evitam que as bactérias do mal (que causam doenças infecciosas) colonizem as paredes do intestino.

Estes micro-organismos também estimulam o sistema imunológico, o que aumenta os níveis de anticorpos e ativa os macrófagos, células consideradas de limpeza do corpo. Essas bactérias do bem tratam doenças como :

  • constipação;
  • colite ulcerativa,
  • cistite e outras infecções urinárias;
  • inflamação intestinal; 
  • síndrome do intestino curto; 
  • enterocolite;
  • síndrome do intestino irritável,;
  • síndrome ou doença de Crohn
  • hemorroida; 
  • diarreia;
  • candidíase e retrocolite.

"Os probióticos também ajudam a recuperar a flora intestinal em casos de radioterapia, uso de antibióticos e quimioterapia”, afirma Fiama Borges, nutricionista da Clínica Natuvitta Nutrição e Estética

Mais saúde para o corpo todo

Então, os probióticos têm o poder de colaborar para que o intestino absorva somente as substâncias necessárias e elimine o excesso de glicose e colesterol, o que favorece a diminuição deste último e dos triglicérides no sangue. Além disso, eles também atuam trazendo outros benefícios para o organismo. Larissa Moretti, nutricionista no Hospital Previna, faz a lista:

  • Estimulam o trânsito intestinal, tornando mais fluido o processo de digestão.
  • Fortalecem o sistema imunológico através da produção de células protetoras que ajudam a reduzir o risco de câncer e doenças infecciosas de repetição.
  • Auxiliam o aumento de vitaminas do complexo B e aminoácidos, o que ajuda o organismo a absorver melhor os nutrientes dos alimentos ingeridos.
  • Contribuem para a perda de peso, pois melhoram o equilíbrio energético do corpo, e ao mesmo tempo, a capacidade do corpo de usar o açúcar como fonte energética.
  • Auxiliam na produção da enzima responsável pela digestão do leite.
  • Aumentam a absorção de ferro, cálcio e outros minerais.

A falta de probióticos

E, se por algum motivo, a flora intestinal estiver desequilibrada, ou seja, com predomínio de bactérias nocivas sobre os probióticos, o organismo fica propício ao crescimento de fungos e bactérias. Este desequilíbrio produz toxinas que são absorvidas pela corrente sanguínea, levando a processos inflamatórios. 

“Alguns dos sintomas destas inflamações são: constipação intestinal ou diarreia, enjoos, excesso de gases, desconforto abdominal, queda de cabelo, unhas enfraquecidas, fraqueza, irritabilidade e dores de cabeça”, alerta Larissa. 

A flora gastrointestinal de um adulto consiste em mais de 1.000 espécies de micro-organismos. “Isso quer dizer que a pessoa possui um trilhão de bactérias no intestino, ou seja, 10 a 100 vezes mais micróbios do que suas próprias células humanas”, aponta Ana Carolina.

Alimentação e suplementos

Para contribuir no aumento de probióticos no intestino, é preciso ficar de olho no cardápio e investir na ingestão de determinados alimentos, como kefir, iogurtes, leites fermentados, queijos, coalhadas, chocolates escuros (70% a 80% cacau), missô (sopa japonesa a base de soja fermentada), chucrute e pepinos em conserva.  

“Mas, o uso de suplementos em cápsula ou em pó tem a concentração elevada a 100 ou 1000 vezes, comparado a esses alimentos. Portanto, é mais vantajoso o uso da suplementação e, junto com ela, enriquecer a alimentação com itens ricos em fibras (vegetais, frutas, grãos integrais)”, ensina Fiama.

Os suplementos devem ser utilizados principalmente por pessoas que fazem dieta para perda de peso ou hipertrofia, pacientes com problemas respiratórias, doenças inflamatórias no estômago ou no intestino e deficiência no sistema imunológico. 

“Também são indicados para mulheres que tenham candidíase e infecção urinária. Mas é bom lembrar sempre que, antes de tomar os probióticos, é preciso consultar um nutricionista ou médico”, finaliza Larissa

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