Ronco: conheça as causas e os tratamentos

Ana Paula Cardoso

Barulho produzido pela respiração durante à noite pode afetar os relacionamento ou até ser sintoma de doença grave

Roncar pode ser um dos problemas que mais afetam a qualidade do sono. © iStock


Nem todos os problemas na hora de dormir resumem-se à insônia. O ronco, um som alto ou áspero e desagradável que ocorre durante o sono, pode ser um pesadelo para quem dorme ao lado de alguém que sofre do problema. Quem já foi acordado no meio da noite – seja com o ronco do companheiro ou com cutucões por estar roncando – sabe o quanto a situação pode ser desconfortável.

De acordo com o Dr. José Gonçalves Mataruna, especialista em clínica médica e membro da Sociedade Brasileira do Sono, metade das pessoas ronca em algum momento de suas vidas. “Parece haver certa predisposição genética para a sua ocorrência e se torna mais comum à medida que a pessoa envelhece”, diz o médico. 

O ronco é produzido quando o fluxo de ar da respiração passa vibrando os tecidos por detrás da garganta (hipofaringe). “O som do ronco pode vir através do nariz, boca ou uma combinação dos dois e ocorrer durante qualquer estágio do sono”, explica o Dr. Mataruna.

Causas mais frequentes do ronco

As principais causas do ronco são:

•    Excesso de tecido na garganta e a diminuição do tônus dos músculos das vias respiratórias, durante o sono, podem causar vibração durante a respiração. Pessoas com excesso de peso, obesas ou grávidas têm, frequentemente, excesso de tecido na garganta. Fatores genéticos podem causar ronco, incluindo tecido extra na garganta, bem como, amígdalas e adenoides, palato mole longo e úvula aumentados.    
•    Qualquer coisa que prejudique a respiração pelo nariz pode causar ronco. Isto inclui: congestão por resfriado ou gripe, alergias ou deformidades do nariz, como desvio do septo nasal.
•    Pode ocorrer ronco quando os músculos da garganta e língua estão relaxados. Substâncias capazes de relaxar esses músculos pode causar ronco. Entre elas pode-se listar: bebidas alcoólicas, relaxantes musculares e outros medicamentos. O envelhecimento normal e os efeitos prolongados do tabagismo também relaxam os músculos da garganta e da língua.

O ronco pode ser tão alto a ponto de despertar o próprio roncador, afirma do Dr. José Gonçalves Mataruna. Embora, em muitos casos, as pessoas não percebam que roncam, o ronco pode ser responsável por queixas comuns, como boca seca, dor ou irritação na garganta ao acordar, além de outros problemas.

“O ronco leve não costuma comprometer totalmente a qualidade do sono de quem ronca. Já o ronco grave pode estar associado à apneia obstrutiva do sono, um distúrbio sério do sono e um fator de risco importante para doença cardíaca, acidente vascular cerebral, diabetes e muitos outros problemas de saúde”, alerta o especialista. 

Ronco e apneia do sono

O ronco também pode ser um sintoma de apneia obstrutiva do sono, quando a pessoa para de respirar por até 90 segundos – deixando o corpo privado de oxigênio.

Por conta desta falta de ar, pode ocorrer uma descarga de adrenalina (hormônio que estimula o sistema nervoso simpático). Este aumento na produção do hormônio pode, por sua vez, provocar a elevação da pressão arterial e, consequentemente, aumentar o risco de doenças cardíacas.

“O médico especialista em medicina do sono está treinado para detectar e diagnosticar a apneia do sono, usando um estudo do sono em laboratório específico ou mesmo na casa do paciente (polissonografia)”, tranquiliza o Dr. Mataruna.

Como tratar o ronco

O ronco primário, isto é, não relacionado à apneia do sono, pode ser tratado com medidas gerais, como: 

  • dormir de lado (decúbito lateral esquerdo, de preferência);
  • evitar o uso de bebidas alcoólicas à noite;
  • redução do excesso de peso corporal;
  • e uso de medicação para desobstrução nasal, em caso de congestão nasal. 

“Já o ronco associado à apneia obstrutiva do sono, que pode ser leve, moderada ou grave, é tratado através de várias abordagens incluindo o uso de aparelho de CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas), tratamento com dispositivos orais e cirurgia”, informa o especialista da Sociedade Brasileira do Sono.

Como alguns estudos também associam o estresse como causa do ronco, tratamentos alternativos costumam ser indicados. Um deles é a ioga, especialmente pelo fato de a técnica trabalhar a respiração.

Outra dica caseira é prender uma pequena bola de ping-pong nas costas. Como a maior parte das vezes se ronca quando a barriga está para cima, o incômodo da bolinha manteria o roncador na posição de bruços. 

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