Hipnose na medicina: técnica pode curar diversas doenças

Ana Paula Cardoso

Frequentemente associada à magia, a técnica é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina e pode curar diversos males

Hipnose: técnica usada como tratamento médico para diversos distúrbios da saúde. © iStockphoto.com/Wavebreakmedia


Cerceada por uma aura de misticismos, a hipnose vem ganhando os consultórios médicos como um procedimento sério, capaz de auxiliar no tratamento de diversos distúrbios. Desde gastrite até depressão.

"Quando se fala em hipnotismo, a maioria das pessoas logo pensa em magia ou poderes paranormais. No entanto, essa técnica é hoje usada na medicina, com excelentes resultados", explica o médico e cirurgião Leonard Verea, formado em Milão, na Itália, que aplica o método de hipnose dinâmica em São Paulo.

O Dr. Verea defende ainda que a hipnose é uma arte muito antiga, que permite o indivíduo de entrar em contato com o inconsciente de outra pessoa, desbloqueando os mecanismos de defesa. Por isso, sua ação mais eficaz é na cura de doenças de origem psicossomática

De bruxaria ao reconhecimento dos médicos

A  Hipnose é uma técnica conhecida desde a  antiguidade, dos egípcios aos romanos. Em diversos períodos,  recebeu, preconceituosamente, o rótulo de bruxaria e magia negra. Foi reabilitada recentemente e, nos últimos 20 anos, vem sendo estudada seriamente.

"Aqui no Brasil, apesar de parte da comunidade científica ainda vê-la com resistência, a  Hipnose é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina e aplicada em hospitais, por exemplo, no combate à dor, beneficiando, entre outras, as vítimas de queimaduras graves, que além de enfrentarem melhor as dores, se recuperam mais rápido", explica o Dr. Verea, que também é psiquiatra, clínico geral, hipnoterapeuta e presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose Clínica e Dinâmica.

De acordo com o médico, a hipnose é um tratamento eficaz de diversos males, dentre os quais destacam-se:

  • gastrite;
  • úlcera;
  • alergias;
  • ansiedade;
  • gagueira;
  • fobias;
  • depressão;
  • problemas com drogas;
  • dificuldades de relacionamento;
  • todas as doenças de origem psicossomática;
  • e até alcoolismo.

Como se faz a hipnose

Não é través de um pêndulo de um lado por outro, como costumamos ver em filmes, que faz com que a pessoa fique hipnotizada. Usa-se técnicas de relaxamento e de comunicação verbal para levar o paciente ao chamado transe, fase na qual os comandos cerebrais estarão nas mãos do inconsciente.

Mas também há o método de hipnose dinâmica, desenvolvido desde 1975 na Itália para fins terapêuticos. Nesta técnica, aplica-se a comunicação não-verbal. Isso inclui: postura, gestos, ruídos e toques que descarregam e provocam tensão. 

"Quanto mais tensa a pessoa fica, mais fácil é hipnotizá-la. Os extremos – relaxamento e tensão – se aproximam. Além disso, pela hipnose dinâmica faço o indivíduo chegar à fase de indução em 3 a 4 minutos, enquanto o método tradicional leva de 20 a 30 minutos", explica o especialista. 

Sessões de hipnose

A duração das sessões varia para cada caso. Primeiro o paciente passa algumas informações ao médico em estado consciente e depois, se comunica com ele sob indução hipnótica.  

Essa indução pode ser feita de diversas formas. Seja concentrando-se em um objeto (caso do pêndulo), seja através de estímulos sonoros ou técnicas de respiração e relaxamento.

Durante a sessão, a pessoa fica hipnotizada o tempo que for necessário. E a qualquer momento o médico pode interromper o processo, pois cada paciente tem um nível de tolerância da mente.

"Não faço mágica ou milagres, apenas uma técnica médica. O importante é que a pessoa queira curar-se por meio da hipnose, pois ninguém pode ser hipnotizado se não quiser", reforça o Dr. Verea.

O tempo de tratamento também varia. Mas, segundo o especialista, dura o máximo alguns meses para chegar aos resultados que, a psicoterapia convencional costuma levar anos.

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