Felicidade no trabalho faz bem à saúde

Ana Paula Cardoso

O bem-estar na vida profissional é fundamental para manter o equilíbrio em outros aspectos da vida

Felicidade no trabalho vai além de salário. Critérios subjetivos também devem ser considerados. © g-stockstudio / iStockphto


O seu trabalho lhe faz feliz? Ou você anda sofrendo com excesso de trabalho? Seu chefe lhe respeita? Você consegue equilibrar lazer com rotina profissional? Essas são apenas algumas perguntas que deveriam ser feitas diariamente por qualquer pessoa que trabalhe.

Independente do cargo ocupado, é preciso que o emprego esteja alinhado com a vida pessoal e os valores do indivíduo, afirmam especialistas.

Para Raquel Busnello, headhunter, coaching profissional e CEO da RH Busnello's Solution, felicidade no trabalho é tão importante que já deve ser mensurada desde o processo seletivo.

"Meus candidatos são altos executivos, que vão ocupar cargos estratégicos e com alta qualificação. Mesmo assim, a pergunta mais importante que faço a eles é: 'qual é sua vaga ideal?'",conta Raquel.

Felicidade no trabalho é diferente para cada um

A CEO da RH Busnello's Solution explica ainda que é a partir da descrição da vaga ideal que ela verá se aquele candidato é adequado ou não ao cargo da empresa que a contratou para a seleção deste executivo.

Mas é válido ressaltar que a o posto de trabalho que é inspirador para um profissional, não será necessariamente para outro. As pessoas são diversas. Moram em lugares diversos, com vida social e familiar distintas.

"Já tive caso de um cliente, cuja a empresa ficava em Guarulhos. Enquanto para alguns candidatos aquilo seria um transtorno (se deslocar do Centro de São Paulo para a periferia), para o candidato que acabou aprovado tratava-se de uma vantagem", ilustra Raquel Busnello.

Em outras palavras, na hora de decidir por um posto de trabalho, não se deve pensar somente em salário. Claro que a remuneração é importante, mas aspectos práticos da vida, como tempo de deslocamento, podem pesar muito quando é felicidade que se está em jogo.

Três aspectos da felicidade no trabalho

Apesar dos valores subjetivos contarem muito na equação da satisfação profissional, segundo especialistas em carreira a felicidade no trabalho também deve estar ligada a alguns aspectos bem objetivos.

Três aspectos relacionados à vida profissional, quando bem equilibrados, seriam a chave para a felicidade no trabalho. São eles:

  • Remuneração. Quando o salário não é suficiente para pagar as contas, ou está defasado em relação a colegas que ocupam a mesma função, a satisfação profissional é praticamente impossível de ser alcançada;
  • Ambiente de Trabalho. Um chefe tirano ou injusto, colegas fofoqueiros e competitivos, uma empresa sem benefícios ou programa de carreira. Tudo isso também afugenta qualquer possibilidade de ser feliz no trabalho;
  • Gostar do que se faz. A atividade principal exercida pelo profissional precisa ser motivante. E mesmo atividades pouco estratégicas podem se tornar estimulantes, desde que o profissional seja devidamente orientado sobre a importância de seu trabalho dentro da empresa.

Felicidade no trabalho: causas mais amplas

De acordo com a Dra. Cristiane Moraes Pertusi, doutora em psicologia da área de aconselhamento de carreira,  o termo felicidade é  muito mal compreendido e ambicionado. Até porque não existe estado constante de tal sentimento. 

Portanto, não estar satisfeito no trabalho pode ter também causas mais amplas do que só três elementos. O ser humano vivencia  momentos de maior satisfação e gratificação, porém, não se consegue isso sem pensar que a vida é feita de ciclos. 

"A satisfação humana está relacionada a inúmeros fatores além do profissional. Fatores emocionais, sociais e até biológicos. Pessoas insatisfeitas e até mesmo deprimidas podem apresentar sintomas de falta de prazer com o trabalho", afirma a Dra. Cristiane.

Na opinião da psicóloga especialista em carreira,  o trabalho tem um peso muito grande no bem-estar de um indivíduo, mas deve ser visto como parte integrante de aspectos pessoais como estilo de vida, personalidade  (aspectos emocionais  e comportamentais) e história de vida de cada um.

"Quando há excesso frustração, somatização e perda de prazer é sinal que o trabalho está nocivo.  É  preciso fazer autoavaliação constante e reajustes para que não se chegue a níveis de prejuízo à vida global do indivíduo", orienta a Dra. Cristiane. 

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