Conheça a ozonioterapia e saiba para quais casos pode ser indicada

Etiene Resende

Método que utiliza aplicações de gás ozônio pode ajudar no tratamento de diversas doenças e até reduzir os efeitos do envelhecimento

ozonioterapia
Aplicação do ozônio pode ser feita também misturado o gás ao azeite ou água bidestilada. © iStockphoto/RossHelen


Apesar de pouco conhecida, a ozonioterapia (ou ozonoterapia) foi criada ainda no século passado, trazendo inúmeros benefícios medicinais. Trata-se de uma técnica pela qual se aplica o ozônio medicinal (mistura de oxigênio e ozônio) e aplica-se a mistura por diversas vias.  

De acordo com informações da Associação Brasileira de Ozonioterapia (ABOZ), a aplicação do gás ozônio funciona graças às propriedades anti-inflamatórias, antissépticas, de modulação do estresse oxidativo, de melhora da circulação e da oxigenação. A variação de concentração do gás, entre 1 e 100 mg/L (0,05-5%O3), dependerá da finalidade terapêutica e das condições do paciente.

O método já é utilizado em alguns países como Rússia, China, Cuba, Espanha e Portugal, se já começa a ser bastante pesquisado também aqui no Brasil. Um estudo realizado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, utilizando ozônio medicinal provou que a ozonioterapia pode ser muito útil no tratamento de várias anomalias, entre as quais, dores nas costas e problemas de coluna. 

Como se aplica a ozonioterapia

A técnica se dá por meio de injeções de gás ozônio, que são aplicadas em pontos biologicamente ativos do organismo humano. “A aplicação vai depender do conhecimento técnico do médico e não apresenta qualquer efeito colateral, desde que seja feito de acordo com os padrões indicados pela ABOZ”, destaca o médico clínico geral Antônio de Almeida Resende.

De acordo com informações da ABOZ, as aplicações podem ser feitas das seguintes maneiras:

Aplicação sistêmica por via endovenosa de oxigênio. Esta aplicação de ozonioterapia, ou autohemoterapia maior, consiste em retirar uma porção de sangue e tratá-la com o ozônio, sendo reinserida na veia depois. Neste caso, o ozônio reage imediatamente nos glóbulos vermelhos e brancos do sangue, bem como no plasma, ativando assim o seu metabolismo.

Aplicação sistêmica autóloga ou autohemoterapia menor com ozônio:. Trata-se da aplicação via intramuscular do sangue ozonizado (tratado com ozônio) do próprio paciente.

Aplicação tópica.  Neste procedimento, utiliza-se um sistema fechado de circulação do ozônio e um sistema de sucção conectado a um catalisador de ozônio. Neste caso, a parte do corpo que receberá a aplicação é colocada dentro de uma espécie de bolsa, que é vedada em seguida, para a circulação local do ozônio.

Água bidestilada ozonizada e azeite ozonizado: Aplica-se de maneira tópica a água bidestilada, ou mesmo azeite previamente ozonizado, diretamente na pele, sobre as áreas afetadas.

Insuflação retal. Trata-se da via sistêmica na qual o ozônio é aplicado – e absorvido – diretamente pela mucosa intestinal.

Aplicação intra-articular, paravertebral ou intradiscal. Neste caso, o ozônio medicinal é injetado diretamente entre as articulações, na musculatura paravertebral ou no espaço intradiscal. Por ser mais complexa, esta modalidade exige conhecimento específico do médico.

O especialista destaca ainda que somente um profissional habilitado poderá aplicar a técnica de maneira segura e eficaz. “Altas dosagens de ozônio podem gerar danos à saúde dos pacientes, enquanto o contrário pode não surtir efeito algum”, reforça.

Indicações da ozonioterapia

São muitos os benefícios para a ozonioterapia, o que pode fazer com que ela se torne grande aliada no tratamento de diversas doenças. Entre as principais indicações destacam-se:

  • tratamento de problemas circulatórios;
  • prevenção e tratamento de diversas doenças e condições do paciente idoso;
  • tratamento e prevenção de doenças causadas por vírus, tais como hepatites, herpes simples e herpes zoster;
  • ótimos resultados no tratamento de quaisquer feridas infectadas, inflamações, de difícil cicatrização, como úlceras nas pernas, de origem vascular, arterial ou venosas (varizes), úlceras por insuficiência arterial, úlcera diabética, risco de gangrena;
  • trata colites e outras inflamações intestinais crônicas;
  • facilita a cicatrização de queimaduras;
  • trata hérnia de disco, protrusão discal, dores lombares;
  • reduz as dores articulares decorrentes de doenças inflamatórias crônicas;
  • promove a imunoativação geral (ativação do sistema imunológico);
  • contribui como terapia complementar para vários tipos de câncer.

Contraindicações da ozonioterapia

Segundo o Dr. Resende, devem ser observadas algumas contraindicações que podem impedir a aplicação ozonioterapia em certos pacientes. “A principal delas é a deficiência da enzima Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD), mais conhecida como favismo, pois há risco de hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos do sangue)", alerta o médico.

Já no caso de outras doenças como o hipertireoidismo, diabetes mellitus, hipertensão arterial severa e anemia grave, é preciso que seja feita uma estabilização do quadro clínico dos pacientes antes. Isso porque a aplicação da ozonioterapia, sem respeitar estas condições, pode levar ao agravamento do problema.

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