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A cultura do estupro sustenta a violência contra mulheres no Brasil

Mora no machismo a cultura do estupro vigente na sociedade, que deixa as mulheres ainda mais vulneráveis quando vítimas de crimes

Cultura do estupro: essa forma cruel de a sociedade culpar as mulheres pela violência contra elas mesmas.


Os dados são alarmantes: 76% das mulheres já foram assediadas no Brasil. Deste número, 44% das mulheres brasileiras tiveram seus corpos tocados involuntariamente, sem a sua permissão. A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no país, de acordo com  9º Anuário Brasileiro da Segurança Pública

As estatísticas sobre violência contra mulheres  já seriam suficientes para explicar o que se convencionou chamar de cultura de estupro. Mas, lamentavelmente, a concretude dos dados numéricos dói na carne de cada brasileira, em seu dia a dia. Não importa qual seja sua cor de pele, credo religioso, posição social ou profissão. 

Cultura de estupro no dia a dia

Por definição, cultura do estupro é como se chama o ambiente machista que justifica, banaliza e legitima a violência contra a mulher. Pela disseminação da ideia de que o valor da mulher está ligado às suas condutas morais e sexuais. 

Esta crença de que o comportamento feminino seria a causa da violência contra ela mesma é a base da cultura do estupro. Que, por consequência, alimenta uma sociedade machista.

“A cultura do estupro pode ser facilmente percebida em comentários triviais como ‘mas ela estava de saia curta’, ‘mas ela não deveria andar sozinha à noite’ e tantos outros que muitas vezes, nós mesmas, mulheres, fazemos”, comenta a psicóloga Isabela Rosa.

Em contrapartida, o valor dos homens não é baseado na conduta e sim na sua personalidade, em seu trabalho, posição social e profissional. E esta diferença na avaliação de comportamentos pelos gêneros é o que mais evidencia a chamada cultura de estupro.

Cultura de estupro, disfarçada de proteção

Quando, em uma sociedade, a violência sexual é normalizada por meio da culpabilização da vítima, isso significa que existe uma cultura do estupro. E esta forma de pensar sobre a mulher é tão evidente, que muitas vezes nem se percebe.

De família classe-média alta, a empresária carioca Marina Santos (o nome foi trocado a seu pedido), hoje com 49 anos, foi estuprada por três homens quando estava com 24 anos, na presença do então marido. 

O crime aconteceu no interior de São Paulo. Hoje Marina consegue falar sobre o assunto. E a terrível experiência que passou ilustra bem o que se convencionou chamar de cultura de estupro.

“Meu companheiro na época passava mal e chorava durante o crime. Quando tudo acabou, no caminho até a delegacia, meu marido, aos prantos e visivelmente abalado, soltou a  frase ‘mas eu sempre te disse que aqui não é o Rio de Janeiro. Não pode usar shortinho'", lembra a empresária. 

O casamento acabou após dois meses, mas aquela frase, aparentemente inocente, não lhe sai da cabeça. 

“Até hoje, lembrar do que ele me disse me corta como uma navalha. Sei que ele não fez por mal, era uma forma de querer ter me protegido. Mas as pessoas não têm noção de como é ruim, você ali se sentindo um lixo e ainda sendo apontada como uma possível culpada de algo tão deplorável”, desabafa Marina.

Copyright foto: iStock 

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