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Agressividade na adolescência: entenda as causas e saiba como lidar com o problema

Especialistas explicam como lidar com este momento difícil dos filhos. Prática de atividades físicas pode ser uma ótima opção

agressividade na adolescencia
Agressividade pode ser motivada pela mudança hormonal ou por questões emocionais.


A adolescência é uma das fases mais difíceis para os pais, principalmente por causa da agressividade que, na maioria dos casos, dá a tônica nas relações dos jovens. Tanto com a família quanto com os demais ciclos dos quais eles participam. E isso não é apenas falta de limites, como costuma-se afirmar.

A Revista da Mulher buscou a opinião de especialistas para tentar decifrar as causas e consequências da agressividade na adolescência - e para saber qual é a melhor forma de lidar com o problema.

Para começar, de acordo com a psicóloga Maria Amélia Bonatti, o ser humano possui diversas maneiras de expressar o que está sentindo e a agressividade é uma delas. 

“Ainda que pensemos – e venhamos até mesmo a afirmar – que os adolescentes já são grandes o bastante para compreender as coisas, eles estão ainda descobrindo maneiras de lidar com seus sentimentos, alegrias, tristezas, frustrações, etc. A agressividade pode ser, portanto, uma maneira mais simples (aos jovens) de lidar com tudo isso”, afirma.

Possíveis causas da agressividade na adolescência

A especialista destaca ainda que não convém determinar as causas exatas da mudança de comportamento dos filhos, tendo em vista que cada caso de agressividade na adolescência pode ter origem diferente.

“O que podemos apontar aqui é quais são os fatores que podem influenciar ou mesmo agravar o quadro. Entre eles o mais recorrente é mesmo a questão hormonal– própria desta fase, principalmente no caso dos meninos, uma vez que a testosterona por si só já contribui para potencializar a agressividade”, destaca Maria Amélia.

Outro fator de influência é a questão do ambiente no qual este adolescente está inserido, tendo em vista que o mais natural é que os filhos reproduzam o que vivenciam no dia a dia.

“Chamo a atenção para a importância que os pais e responsáveis devem dar  à maneira com a qual as questões e dificuldades são resolvidas em casa. Muitas vezes, a agressividade na adolescência é um reflexo da relação entre os familiares no próprio lar”, ressalta a psicóloga.

Diálogo contra a agressividade na adolescência

De acordo com a especialista, o diálogo é a melhor maneira de resolver qualquer conflito e isso deve ser vivenciado no ambiente familiar desde o início.

"Os pais devem conversar entre si e também com os filhos de maneira respeitosa, coerente e segura, para que todos sintam-se  à vontade para fazer o mesmo quando surgir algum problema”, lembra a psicóloga, destacando ainda que é preciso estabelecer limites claros também neste contexto.

Vale lembra tratar-se de uma fase de amadurecimento corporal, caracterizada pela ebulição de hormônios e pelo interesse pelo sexo. A agressividade na adolescência pode significar, portanto, alguma coisa que não vai bem no campo sentimental e dos relacionamentos. 

“Um adolescente que sofre bullying, ou que se sente pressionado pelos pais por resultados. A dificuldade de fazer parte de algum grupo – sentindo-se deslocado. Ou até mesmo as frustrações nos relacionamentos afetivos podem gerar ou agravar a situação”, explica a especialista.

Como lidar com a adolescentes agressivos

Segundo a psicóloga, a melhor forma de lidar com a agressividade na adolescência é evitar o confronto, buscando sempre o diálogo. E exige atenção dos pais aos sinais de estresse dos filhos.

“Os pais e responsáveis devem se colocar de maneira firme, mas evitar serem rudes, pois isso só vai piorar. É preciso ouvir, tentar compreender e se mostrar acessível para que o adolescente se sinta confortável em se abrir”, afirma.

Maria Amélia Bonatti ressalta: isso não vai acontecer da noite para o dia e é preciso ter muita paciência -  mas evitar concessões exageradas. “Os pais devem manter  a ternura necessária para uma aproximação. Lembrar de tentar não ceder demais, para não afrouxar os limites, mas não endurecer demais também, sob o risco de fechar as portas para o diálogo”.

A busca de atividades juntos, principalmente a prática de esportes pode ser uma ótima maneira de tornar este período menos conflituoso. “Os pais devem ter o cuidado para não sufocar o adolescente com esta aproximação, nem forçar a barra para criar momentos felizes. O ideal é tentar proporcionar situações em que isto aconteça naturalmente”, conclui.

Luta contra a agressividade

Não é novidade alguma afirmar que a prática de atividades físicas pode ser determinante para controlar a agressividade dos adolescentes, conforme explica Felipe Kutianski, preparador físico da Ziva Brasil.

“As atividades físicas são úteis como ‘válvula de escape’ para agressividade, não só de adolescentes, mas de adultos também. Esportes coletivos ou individuais, treino ou jogos em grupos, etc. As opções são inúmeras”, destaca.

Muitos especialistas indicam, inclusive, a prática de artes marciais para reduzir a agressividade na adolescência. Atividades como o judô, por exemplo, têm como principal finalidade a disciplina e não a agressividade, como muita gente imagina.

"Ao praticar determinadas lutas, é possível, sim, melhorar o comportamento, desde que seja muito bem orientado pelo professor e também pelos colegas”, reforça Kutianski.

O preparador físico lembra ainda de exemplos em que as lutas transformaram a vida de adolescentes e jovens agressivos. “Grandes nomes do MMA eram muito agressivos na adolescência, mas quando foram bem orientados puderam ‘canalizar’ os sentimentos de forma correta para as artes marciais e vieram a se consagrar no esporte”, destaca.

O especialista ressalta que a competição pode ser uma estratégia positiva contra a agressividade na adolescência desde que bem orientada e trabalhada como estímulo. O preparador físico indica indica algumas atividades ótimas para controlar a agressividade na adolescência, como:

  • artes marciais em geral;
  • ioga (sim, muitos lutadores praticam);
  • esportes coletivos (rúgbi, futebol, basquete, vôlei etc..);
  • e esportes individuais (crosfit, natação, atletismo etc...).

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